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10 momentos em que as montadoras tentaram iludir você

O mercado automotivo também tem das suas pegadinhas. São estratégias das montadoras para gastarem pouco. Pega-se um automóvel ou conjunto mecânico conhecido, cria-se uma embalagem bonita ou um nome pomposo e voilá: lançam carros que tentam iludir os consumidores com promessas de plataformas e tecnologias modernas.

E não foram poucos os momentos no Brasil em que isso ocorreu. Por aqui, algumas marcas até abusam dessa estratégia. Seja com carros com nome de uma categoria, mas base de um segmento abaixo, ou utilitários esportivos que nada mais são do que hatches mais altos e parrudos, ou ainda câmbio manjado com nome moderno e motor que não entrega a potência prometida.

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Relembre 10 momentos em que as montadoras tentaram iludir você.

Peugeot 207 (ou 206,5)

Peugeot 207
Peugeot 207: mera reestilização

Talvez um dos exemplos mais claros de tentativa de iludir o consumidor de carros – e de economia boba. A Peugeot fez o maior sucesso aqui com o 206 no início dos anos 2000. Com design moderno e bom acabamento, figurou durante anos entre os 10 mais vendidos do país. Mas na hora de fazer a mudança de geração da linha compacta para o 207, a marca escorregou.

Em 2008, a Peugeot resolveu pegar a carroceria do 207 que já rodava na Europa e jogar em cima da arquitetura do velho 206 produzido em Porto Real (RJ) desde 2001. Logo, foi vulgarmente chamado de 206,5, mas jamais chegou perto do sucesso do antecessor – nem os sucessores 208 com gerações novas, de fato, resgataram o prestígio. Detalhe é que esse 207 brasileiro foi vendido na Europa, mas sem enganações: lá, chamava-se 206+.

Volkswagen Golf 4,5

volkswagen golf sportline branco de frente
Golf foi outro que recebeu apenas um discreto face-lift e foi anunciado como grande novidade

Mais ou menos a mesma história do compacto da Peugeot. Em 1999, a Volkswagen do Brasil começou a produzir aqui a então quarta geração do seu carro de maior sucesso no mundo. O Golf IV, ou “Sapão”, logo caiu nas graças de um público mais jovem e se destacava pela plataforma moderna e pelo comportamento dinâmico que honrava as origens alemãs.

Porém, as mudanças de gerações que aconteciam na Europa não foram seguidas pela filial brasileira da Volks. Em 2007, às vésperas da sexta geração do hatch médio ser apresentada globalmente, a marca resolveu fazer uma remodelação no Golf IV brasileiro, que passou a ser taxado de “4,5” e de “Golfssauro”.

Mas foi um dos carros que tentaram iludir o consumidor e que muita gente comprou. Com 21 mil unidades emplacadas no fim da década de 2010, disputava pau a pau o segmento de hatches médios com cascas grossas, como Chevrolet Vectra GT (nome ilusório, por sinal), Ford Focus e Hyundai i30. Foi produzido até 2014, quando finalmente a linha voltou a ficar alinhada globalmente e o Golf VII foi lançado aqui.

Chevrolet Vectra “3ª geração”

chevrolet vectra elite 2008 prata dianteira
Astra europeu foi “promovido” e virou Vectra ao cruzar o Atlântico

Houve um tempo em que nossa indústria produzia até sedãs médio-grandes, como os primeiros Vectra. Projeto da Opel, era o topo da cadeia alimentar da General Motors – quando falamos de produção no Brasil – entre os anos 1990 e início dos 2000. Mas isso durou até 2005. Naquele ano, a montadora resolveu lançar um novo Vectra com base do…. Astra.

Logo o sedã – que usava plataforma de médio, mas tinha preço de médio-grande – foi apelidado de Astrão. Era 20 cm maior, contudo não tinha o mesmo comportamento dinâmico dos seus antecessores. Na dianteira, aproveitava o desenho da terceira geração do Astra europeu (uma à frente do hatch daqui) e a traseira usava componentes da estrutura da minivan Zafira.

Hyundai Veloster

hyundai veloster prata 2012 de frente em movimento
Motorzinho rendeu muitos apelidos ruins ao Veloster

Quando escrevemos sobre ilusão no mercado brasileiro não tem como não lembrar do Veloster. O hatch-cupê de três portas chegou com toda pompa de marketing em 2011, embalado pelo design esportivo e pelo motor de 140 cv… Mas assim como João Kléber, temos de mandar um “para, para, para!!!”.

O carro vendido pelo Grupo Caoa nunca teve essa potência por aqui. Na verdade, eram 128 cv extraídos do propulsor 1.6 aspirado que equipava o i30. A mentirinha custou caro para a empresa importadora, que foi alvo de diversas ações na Justiça movidas por consumidores que se sentiram lesados.

Câmbio GSR

cambio gsr fiat cronos argo
Mudança de nome tentou ‘virar a página’ do fracassado Dualogic

Sem um câmbio automático para trabalhar com seus novos motores Firefly, a Fiat resolveu fazer firula com sua contestada caixa automatizada ao lançar o Cronos, em 2018. O sedã foi lançado com opção da transmissão GSR, sigla para “Gear Smart Ride”. Porém, nada mais era do que a mesma caixa robotizada Dualogic, só que “gourmetizada”.

O câmbio continuava com embreagem simples, e minimizou bem pouco os trancos e imprecisões insuportáveis da era Dualogic. Além do nome garboso e marqueteiro, a Fiat ainda colocou botões no console para acionamento da transmissão no lugar da alavanca. As versões GSR se estenderam a Argo e Uno, mas venderam pouco e felizmente foram descontinuadas.

Ford Del Rey

Ford Del Rey 2 portas
Modelo era chamado de ‘corsário’ (Corcel de otário)

Ressaca da crise do petróleo, inflação galopante e recessão. Com o Milagre Econômico propagado pela Ditadura Militar ruindo, automóveis de luxo e caros perdiam espaço no nascer dos anos 1980. Neste cenário, a Ford resolveu tirar de cena o Galaxie e o Maverick para, em 1982, lançar o Del Rey. Mas, apesar do acabamento interno caprichado, o sedã topo de linha da marca no Brasil nada mais era do que um Corcel II.

O Del Rey usava a mesma plataforma originária dos anos 1960. Para-lamas, portas e colunas centrais eram praticamente comuns entre os dois modelos. Devia em espaço interno, carecia de motor potente (usava o mesmo 1.6 do Corcel II) e de plataforma moderna.

Até fez sucesso no início de vida, mas a chegada do Chevrolet Monza e do Volkswagen Santana expuseram a defasagem do sedã. Acabou sendo maldosamente chamado de “Corsário”, ou seja, o “Corcel de otário”. Que rude…

Renault Stepway

stepway cvt 2020 023
Stepway: outro modelo? Não! Um Sandero altinho

Em 2017, a Renault decidiu que o Stepway era outro carro. A marca francesa deu uma espécie de vida própria à configuração aventureira do hatch, sob os argumentos de que o modelo tem ângulos de entrada e vão livre do solo que o aproximam mais de um SUV do que de um veículo de passeio – a Fiat fez algo parecido com a Palio Adventure em relação à Weekend. A vantagem é que a linha ganhou mais opções de versões, inclusive algumas mais baratas.

Mas é mais uma tentativa de iludir o mercado. O Stepway é o mesmo Sandero com o sobrenome aventureiro que a Renault usa globalmente e com seus apliques pseudo-off-road conhecidos, como estribos, molduras nas caixas de roda, pneus de uso misto e suspensão elevada.

Honda WR-V

honda wr v 2021 reestilizado movimento
WR-V é o Fit com anabolizantes

O ano era 2017, a Honda tinha acabado de lançar o HR-V mas precisava surfar na onda das boas vendas do SUV para ter uma opção de “jipinho” urbano mais barato. A solução veio em transformar o Fit. A marca japonesa pegou o monovolume queridinho pelo espaço interno bem aproveitado e mecânica elogiada para criar um crossover.

Pois é, o WR-V nada mais é que um Fit bombadão. Os dois usam a mesma plataforma e conjunto mecânico (motor 1.5 e câmbio CVT) e compartilham peças como painel, portas, vidros e capô. A Honda, contudo, prefere ressaltar que o crossover compacto herdou o eixo traseiro e caixa de direção do HR-V… mas é apenas cortina de fumaça.

Ford EcoSport

ford ecosport suvs brasil
Ford foi pioneira na receita de pegar um compacto e transformar em SUV

A Honda não foi pioneira em iludir a clientela com um SUV que nada mais era que um hatch alto. Lá no ano de 2003, a Ford se salvou no Brasil com estratégia semelhante. Parte do Projeto Amazon, a marca norte-americana, em uma jogada de mestre, transformou o então Fiesta lançado um ano antes em um SUV genuinamente urbano.

O segmento de utilitários compactos sem pretensões off-road só seria seguido por outras marcas uma década depois, mas o fato é que o EcoSport nada mais era do que o Fiesta com jeito de jipinho. O acabamento interno era exatamente o mesmo, assim como as opções iniciais de motores 1.0, 1.0 Supercharger e 1.6 – só o 2.0 era diferente.

A ilusão de ser um aventureiro na cidade deu mais do que certo. A primeira geração do Eco vendeu muito, mas muito mesmo, tirou a Ford brasileira do vermelho e abriu caminho para outros fabricantes fazerem o mesmo a partir da segunda metade dos anos 2010.

VW Fox

carros volkswagen fox 2 portas 2003 prata frente
Insistência da VW em negar o problema dos bancos do Fox custou caro

Aqui, a insistência foi em não reparar um problema e preferir por a culpa no consumidor. Em 2004, um ano após o lançamento do Fox, começaram a aparecer casos de donos do hatch altinho que tiveram os dedos parcialmente decepados ao tentar rebater o banco traseiro do veículo.

Isso porque uma alça no porta-malas devia ser puxada para que a trava do banco corrediço fosse liberada, só que essa peça ficava presa a uma argola. Pelo menos 37 pessoas tiveram os dedos presos e parcialmente decepados ao tentar realizar a operação. A Volks disse que não era preciso recall e que os acidentes ocorreram pelo uso incorreto do sistema.

A teimosia da Volks, que teve até presidente da filial brasileira culpando o cliente na TV, custou caro. A marca teve de pagar R$ 3 milhões para um fundo de defesa de direitos do consumidor do Ministério da Justiça e de fazer o recall de mais de 800 mil unidades de Fox, CrossFox e SpaceFox.

Bônus: Chevrolet Vectra GT

chevrolet vectra gtx
Vectra GT seguiu o exemplo do irmão sedã

Lembra que eu falei que o Vectra de terceira geração era um Astrão com base no velho hatch, mas desenho frontal do Astra que rodava na Europa? Pois em 2007, a General Motors lançou por aqui o Vectra GT, que não passava nem perto do nome ou sobrenome.

O modelo era o Astra hatch europeu de terceira geração. Usava os mesmos motores do Vectra e do Astra 2 que eram fabricados aqui, o 2.0 de 140/133 cv. Em meados de 2010 chegou a ser o hatch médio mais vendido do país, porém, em junho de 2011, o Vectra GT (que não Vectra) deixou de ser produzido.

Fotos: Divulgação

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