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Conheça 10 fatos marcantes sobre o tricampeão Nelson Piquet

O ano de 2021 marcará três décadas da última vitória de Nelson Piquet na Fórmula 1. Famoso por saber ajustar carro como poucos e por fazer valer sua técnica e habilidade nas pistas, o tricampeão e piloto “raiz” é pouco lembrado entre os grandes nomes do automobilismo. Muito graças ao seu temperamento ácido, tão aguçado quanto sua habilidade ao volante.

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A verdade é que Piquet, ao contrário da esmagadora maioria dos pilotos da F1, nunca fez questão de fazer o tipo de bom moço. Mas nos brindou com momentos inesquecíveis nos 13 anos em que disputou a principal categoria do automobilismo internacional. Foram três títulos mundiais, 204 grandes prêmios disputados, 23 vitórias, 24 poles e 60 pódios.

Ao mesmo tempo, sempre foi “sincerão”, sem papas na língua, daqueles que criticam os outros sem qualquer filtro. Sempre alfinetou Ayrton Senna, Alain Prost e Nigel Mansell, volta e meia detona o narrador Galvão Bueno e até saiu no braço com um piloto adversário em pleno grande prêmio. Às vésperas dos 30 anos de sua última vitória na F1, separamos 10 fatos marcantes da carreira de Piquet.

Nelson Piquet na pista

Conheça os momentos brilhantes do piloto nas corridas e as críticas típicas nos boxes – e fora deles. Assista ao vídeo com alguns dos momentos marcantes da carreira de Piquet:

1. A primeira vitória

Na época os Estados Unidos sediava mais de um grande prêmio na temporada. Curiosamente, foi o primeiro e único GP do Oeste dos EUA, em Long Beach, no dia 30 de março de 1980, que serviu de palco para a primeira vitória de Nelson Piquet na categoria.

O brasileiro largou na pole position com sua Brabham com motor Ford. E não foi ultrapassado por mais ninguém durante toda a prova. Piquet voou baixo naquele dia e cruzou a linha de chegada 49 segundos (!!!) à frente de Riccardo Patrese, que defendia a Arrows.

Ou seja, Piquet chegou nos boxes, saiu do carro, confraternizou a equipe, foi fazer xixi e o italiano ainda estava cruzando em segundo lugar. O bacana é que o pódio teve ainda outro ídolo da F1: nosso Emerson Fittipaldi, que chegou em terceiro com sua equipe Fittipaldi – também com motor Ford.

2. No braço

Piquet perdeu o campeonato de 1980 para Alan Jones (Wlliams) por um mísero ponto. Entrou na temporada de 1981 com a faca nos dentes, mas se deu mal de cara no GP do Brasil por usar pneus slick na pista molhada de Jacarepaguá. Porém, a temporada ia deixar evidente o talento do brasileiro em diversos momentos.

O primeiro feito foi o lugar mais alto do pódio na Argentina. A prova seguinte, contudo, Piquet saiu de um nono lugar para conquistar a vitória com uma ultrapassagem sobre Didier Pironi a 13 voltas do fim, isso debaixo de chuva mais uma vez.

A arrancada para o primeiro título veio no GP da Alemanha: em Hockenheim, conhecido por ser um dos circuitos mais rápidos da F1. Na metade da corrida, Piquet viu a saia lateral da sua Brabham quebrar. O brasileiro não esmoreceu. Ultrapassou Alain Prost (Renault) e se valeu do abandono de Alan Jones para garantir a vitória que o deixou a apenas oito pontos do argentino Carlos Reutemann (Williams).

3. Estratégia pelo bi

nelson piquet dirigindo o brabham bt52 em 1983
Com o Brabham BT52, Piquet faturou o segundo título mundial em 1983 (foto: Nelson Piquet | Facebook | Reprodução)

Piquet chegou à última prova da Fórmula 1 em 1983 com o foco na vitória para garantir o título. Alain Prost (Renault) liderava o Mundial de Pilotos dois pontos à frente do brasileiro e seis a mais que o compatriota René Arnoux (Ferrari). Na derradeira corrida, nunca foi tão certeira a tática dele e da Brabham para assegurar o bicampeonato.

No Grande Prêmio da África do Sul, Piquet mais uma vez se valeu dos pit-stops com reabastecimento. A estratégia era simples e genial: a Brabham largava com apenas 70 litros de combustível. Com o carro mais leve, o brasileiro pisava fundo como se não houvesse amanhã – tanto que na sexta volta, já tinha feito a mais rápida da corrida toda.

Dito e feito. Piquet abriu bastante vantagem para fazer o primeiro pit-stop em Kyalami. Para completar, Prost abandonou a prova e aí bastava completar a corrida em quarto lugar para levantar o título. Piquet tirou o pé para poupar o carro, cruzou a linha de chegada em terceiro e celebrou o bicampeonato.

4. Descalço no pódio

Nos treinos classificatórios da temporada de 1984, até dava a impressão de que Piquet levaria com facilidade o tri. O piloto fez nove poles naquele ano, só que o carro da Brabham parecia Gordini nas corridas, e quebrava invariavelmente.

Uma das soluções de Gordon Murray (então projetista da equipe britânica) veio no Grande Prêmio do Canadá. Para melhorar a refrigeração do motor, foi instalado um radiador no bico do carro. Realmente a Brabham de Piquet não quebrou, ele venceu a corrida de ponta a ponta (ultrapassou Prost logo após a largada) e subiu ao pódio… descalço.

Promessa? Superstição? Que nada, o novo radiador queimou os pés de Piquet, que, mesmo assim, seguiu na corrida. Assim que estacionou o carro nos boxes, após cruzar a linha de chegada, teve de colocar os pés em um balde de gelo.

5. Olha o que ele fez!

Os Sennistas que me perdoem, mas poucas vezes a Fórmula 1 assistiu ao duelo como entre os dois brasileiros como a do GP da Hungria de 1986. Naquela que é considerada a maior ultrapassagem de todos os tempos na categoria, Piquet abriu na reta principal por fora e Senna, então na Lotus, o espremeu, obrigando-o a beijar a sujeira da pista.

Piquet não se fez de rogado. Com o seu Williams atravessado, fez a ultrapassagem por fora, quase de lado até o fim da curva após a reta. O brasileiro seguiu na ponta e venceu o GP.

Bônus: aí são “outros 500”

nelson piquet com macacao da equipe benetton
Benetton foi a última equipe de Nelson Piquet na Fórmula 1 (foto: Nelson Piquet | Facebook | Reprodução)

A Benetton em 1990 era uma mera coadjuvante diante do duelo particular – e acirrado – entre Ayrton Senna (McLaren) e Alain Prost (Ferrari). Mas conseguiu ser coadjuvante graças ao motor Ford e a Nelson Piquet, que fez uma temporada excelente na escuderia. Só que o ápice naquele ano foi a vitória em Adelaide, no Grande Prêmio da Austrália, que fechava a temporada com a pompa de ser o 500º GP da história da F1.

Piquet regulou a sua Benetton com o mínimo de asa traseira para a corrida. O brasileiro largou na sétima posição do grid, e logo ficou em quinto. “No braço”, a partir da metade da prova, o piloto deixou Prost, Gerhard Berger (McLaren) e Nigel Mansell (Ferrari) para trás e assumiu a segunda colocação.

O líder e já campeão Senna bateu depois de a transmissão quebrar e o caminho ficou livre para a vitória de Piquet. Mas os pneus da Benetton já estavam nas últimas e Mansell, com pneus novos, partiu para cima do brasileiro. Mesmo assim Piquet fez uma corrida primorosa e, sabendo o quanto afoito era o inglês, ainda forçou o rival a cometer um erro nas últimas curvas.

Piquet garantiu a terceira colocação no Mundial de Pilotos com essa e outra vitória magistral, na etapa anterior à Austrália, no Grande Prêmio do Japão. Na corrida que sagrou Senna bicampeão – depois que o brasileiro deu o troco em Prost e fechou o caminho para o francês logo na primeira curva -, Piquet foi o vencedor nesta que foi a última dobradinha brasileira da F1.

Dobradinha com Moreno

nelson piquet dentro do carro da benetton
Carros da Benetton deram as derradeiras vitórias a Neldon Piquet (foto: Wikipedia | Reprodução)

Depois que o italiano Alessandro Nannini, segundo piloto da Benetton, sofreu um acidente de helicóptero, perdeu parte do braço e teve de encerrar a carreira no fim da temporada, Piquet levou Roberto Pupo Moreno para a escuderia. Campeão da F3000, o brasileiro já tinha alcançado o feito de, em 1987, conseguir chegar em sexto em Adelaide e marcar o primeiro dos dois únicos pontos que a minúscula equipe AGS conseguiria ao longo de cinco anos.

Ele estava na EuroBrun e não tinha conquistado classificação até o momento. Em Suzuka, com a Benetton, chegou em segundo. Durante o pódio, Piquet se divertiu com Moreno e teve que cutucá-lo quase discretamente: na empolgação por seu primeiro pódio na F1, Pupo Moreno havia esquecido de tirar o boné durante a execução do hino.

A propósito, Piquet protagonizou diversas dobradinhas brasileiras – a grande maioria, com Senna, obviamente. Só em 1986, foram três, com Piquet em primeiro: no GP do Brasil, em Jacarepaguá, e nos GPs da Alemanha e da Hungria (o da ultrapassagem fantástica). No ano seguinte, quatro dobradinhas, com duas vitórias para cada lado. E em 1990, antes de Suzuka, Senna chegou em primeiro no GP do Canadá, com Piquet na segunda colocação.

Nelson Piquet fora da pista

Relembre algumas das polêmicas nas quais o tricampeão já se envolveu.

1. Saiu na mão

Em 8 de agosto de 1982 Hockenheim foi palco de uma cena única – e bizarra – na F1: o dia em que um enraivecido Piquet desferiu socos, empurrões e pontapés em um adversário – detalhe, ainda de capacete. Tudo aconteceu depois que a Brabham do brasileiro foi tocada pelo ATS do chileno Eliseo Salazar e os dois saíram da pista. Piquet desceu do carro gesticulando muito e partiu para cima do chileno, que sequer esboçou reação.

Assista ao vídeo com essa cena memorável!

Detalhe é que anos depois ele ligou para Salazar e tudo ficou na paz – ainda mais quando o brasileiro descobriu que o motor BMW de sua Brabham estava prestes a quebrar naquela corrida, em plena “casa” do fabricante alemão…

2. Bem, amigos?

Piquet jamais escondeu sua irritação com Galvão Bueno. Por diversas vezes já acusou o narrador de não saber nada de automobilismo. Em uma entrevista ao canal ESPN Brasil nos anos 1990, dentro dos boxes da Fórmula Esso, enquanto assistia a um treino da F1 pela TV, soltou uma dessas:

“Dá muito desgosto ver o Galvão Bueno falar tanta besteira técnica, porque podia narrar a corrida sem falar nada, já que não entende p* nenhuma. O público que não entende engole isso tudo”, atacou.

Em 2020, em entrevista à Marciana Becker, ainda na TV Globo, disparou de novo, depois que o narrador teria dito que a famosa ultrapassagem sobre Senna no GP da Hungria se deu porque a Williams de Piquet tinha mais motor.

“Como o Galvão falava, e ele não entende p* nenhuma de automobilismo, ele dizia que eu tinha um motor mais forte. Mas naquela época, existia uma técnica. Você tem que entrar na reta uns trinta metros atrás. Em todas as ultrapassagens, você entra no vácuo, cria velocidade, sai do vácuo e passa”.

O piloto também não perdeu tempo quando a Band adquiriu os direitos de transmissão da F1 para a Band e levou Reginaldo Leme. Em um tuíte, Piquet fez um vídeo onde fazia uma pergunta ao jornalista: “Ô Reginaldo, então me fala aí: como você conseguiu trabalhar tantos anos com aquela besta do Galvão Bueno”.

3. Treta ente Piquet e Mansell

nelson piquet no carro da williams no gp de monza de 1987
Nelson Piquet controlando o carro da Williams no GP de Monza de 1987 (foto: Nelson Piquet | Facebook | Reprodução)

A briga com Mansell ficou escancarada em 1987. Os dois eram companheiros na Williams, mas Piquet acusava a escuderia de sempre favorecer o britânico. Além disso, durante a temporada, o brasileiro descobriu que os acertos que fazia nos seus carros eram imediatamente passados para o rival.

“O Patrick Head (projetista) trabalhava comigo e passava o acerto do carro para o Mansell. Mas quando eu descobria alguma coisa muito boa, deixava para falar na última hora da corrida e eles não tinham tempo para fazer nada”, disse.

O brasileiro reconhece que também não dava paz ao companheiro de escuderia. “Ele gostava de se fazer de vítima. Eu sacaneava ele de tudo que é jeito. Falava barbaridades, fiz de tudo para ele bater em mim. Eu devo ser o calo inflamado no pé dele”, ironizou.

Piquet se sagrou tricampeão naquele 1987 depois de uma disputa acirrada com Mansell. E, claro, jamais desperdiçou a oportunidade de alfinetar o adversário. Em uma delas, após o britânico fazer uma estátua da esposa, mandou na lata: “Mansell tem as duas mulheres mais feias da Fórmula 1”. Em outra, foi sucinto: “Mansell é um idiota veloz.”

4. Treta entre Piquet e  Senna

Piquet e Senna não nutriam qualquer carinho um pelo outro. E apesar do respeito mútuo nas pistas, e de Ayrton não deixar transparecer qualquer crítica ao rival, Nelson, pelo contrário, jamais poupou o outro lado. Não foram poucas as vezes em que cutucou o adversário.

Antes da morte do piloto, indagado em uma entrevista sobre se Senna era o maior de todos os tempos, Piquet não perdeu tempo: “Senna é o melhor piloto? P* nenhuma! Melhor é o Prost, que é tetracampeão”. Em outra, quando perguntado quem contrataria para ser chefe de equipe: “O Senna, é claro. Eu e o Prost já ganhamos tudo e estamos mais pra lá do que pra cá na carreira. O Ayrton, não.”

Piquet inclusive disse que xingou muito Senna após a famosa ultrapassagem no GP da Hungria de 1986.

“Fui passar pela direita, e ele me espremeu na parte suja da pista. Freei uns 30, 40 metros além do que eu precisava, vim com o carro escorregando nas quatro rodas e fiz um gesto bacana: mandei ele tomar no c*. Se ele deixasse eu passar pela direita e chegasse de novo, aí ele ia pra arquibancada”, completou Piquet.

5. Treta entre Piquet e Prost

nelson piquet de macacao atualmente
Até hoje, o tricampeão mantém a “franqueza” como marca registrada (foto: Nelson Piquet | Facebook | Reprodução)

Depois da morte de Senna, Piquet ficou indignado com a pose de bom moço de Alain Prost, com quem Ayrton teve uma relação nas pistas bastante conturbada. “Não tenho respeito nenhum pelo Prost, a vida pessoal dele, as coisas que ele fez lá. Não tem valor nenhum. Você tem de ver o todo, não só o piloto.”

Sobre o enterro do brasileiro, Piquet justificou a ausência e atacou Prost, classificando-o de demagogo.

“A morte do Senna foi uma perda muito grande, isso foi reconhecido pelos brasileiros. Mas vi muita política. Eu não fui porque não suporto funeral e não posso hoje ter a cara, na minha personalidade, de fazer como o Prost fez. Ele brigou com o Senna até o último dia na Fórmula 1 e depois foi no enterro. É a maior demagogia. Não me achei no direito de ir ao enterro. Nunca fui amigo, vou ao enterro para aparecer?”

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