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Dia da pizza: 10 carros que acabaram… em pizza

Neste sábado, dia 10 de julho, é dia de comer essa maravilha da culinária que surgiu em Nápoles há mais de dois séculos – apesar de a técnica datar dos egípcios, cinco mil anos atrás. Mas no Dia da Pizza, além de celebrar um dos pratos mais populares do mundo, também lembramos que o termo tem seu lado negativo.

Pois é, quando algo termina em pizza significa que não foi concluído ou que acabou mal. Serve para investigação ou escândalos políticos que foram abafados, mas também para carros que não deram em nada. Veículos que chegaram ao Brasil com muita expectativa, mas que não atingiram seus objetivos e saíram de fininho.

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Relembre 10 carros que acabaram em pizza.

Effa M100

effa m100 azul

Esse carrinho ajudou muito a queimar a imagem dos chineses já na largada. Lançado em 2007, foi o primeiro modelo de passeio oriundo do país asíático a ser comercializado no Brasil e era um desastre. Por aqui, já não podia nem usar seu nome de origem, Ideal, e adotou o M100 – a Fiat barrou o uso do termo por causa do Idea.

Mas antes fosse só o nome o grande problema. O carro era apertado, tinha péssimo acabamento interno e aparentava fragilidade até na porta. Seu comportamento dinâmico era ruim, a carroceria oscilava demais e a suspensão parecia que ia quebrar ao encarar os buracos.

O motor 1.0 de 47 cv era outro drama. Apesar de o carro ser leve, tinha pouco torque em baixa e só subia ladeira em primeira marcha. Até para encarar uns quebra-molas tinha dificuldades.

Chegou a passar por um recall em 2010 porque as unidades importadas tinham cintos de dois pontos nas extremidades do banco traseiro, e a legislação exigia os de três pontos. Naquele mesmo ano deixou de ser vendido, felizmente.

Renault Mégane

renault megane sedan carros ate 20 mil

O sedã médio da marca francesa foi um dos carros que acabaram em pizza por erro estratégico. Em 2006, a Renault passou a produzir a segunda geração do modelo em São José dos Pinhais (PR) para brigar em um disputado segmento dominado por Honda Civic e Toyota Corolla. Ok, tinha um modelo bem alinhado com a plataforma europeia e com qualidades construtivas e ótimo nível de conforto.

Só que a Renault lançou o carro em março daquele ano, quando todo mundo sabia que em abril chegaria a nova geração do Honda, o New Civic. Além disso, a Renault focou em diferenciais supérfluos do Mégane, como chave tipo cartão e freio de estacionamento ao estilo manche, em vez de chamar a atenção para outras virtudes do modelo, como porta-malas e conjunto mecânico.

Além disso, a Renault ainda sofria da fama de pós-venda. E a desconfiança era de que o Mégane era um carro caro de manter, isso em um segmento onde os líderes de marcas japonesas têm fama de carros inquebráveis.

Durou só até 2010, mas pelo menos sua variante station wagon Grand Tour teve mais sorte, fez a cabeça de taxistas e perdurou até 2013.

TAC Stark

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Em 2004, uma empresa do Sul do país lançou a ideia de um carro 100% nacional, um jipe 4×4 para brigar com o Troller T4. Nascia a Tecnologia Automotiva Catarinense (TAC), que, cinco anos mais tarde, começou a produzir o Stark, com motor 2.3 de 127 cv da Fiat, investimento do Governo de Santa Catarina e projeção de faturamento de R$ 95 milhões já no quinto ano de vendas.

Obviamente, esse retorno não veio. Pior, a empresa começou a enfrentar dificuldades e transferiu a sede para Sobral, no Ceará, em 2013, de olho na redução de custos e em novos incentivos fiscais. Porém, não desceu do salto: prometeram versão militar do Stark e a projeção agora era de vender 3 mil unidades por ano…

Em seis anos, contudo, foram apenas 250 unidades produzidas e o Stark logo se mostrou um dos carros que acabaram em pizza. Em 2015, a chinesa Zotye disse que ia comprar a TAC, mas o negócio não avançou. Em 2020, a CAB anunciou que faria o carro nos arredores de Brasília.

Para o governo catarinense, o Stark virou pizza mesmo. O estado cobra da TAC ressarcimento pelos incentivos fiscais e uma dívida de mais de R$ 10 milhões.

Lifan 320

lifan 320
O Lifan 320 tinha cara de Mini

Em 2010 a Lifan chegou ao Brasil com uma daquelas cópias descaradas de carros consagrados. No caso, o 320 era o Mini Cooper cuspido e escarrado, com direito ainda às faixas duplas na carroceria. O motor era o 1.3 de 88 cv e o carro se valia de custo/benefício com muitos equipamentos e preço de Volkswagen Gol.

Mas, assim como o Effa M100, era frágil que só. A carroceria entortava bem nas curvas, os pedais eram esponjosos e a parte elétrica dava pau a toda hora. Queixas de vazamentos de óleo e de combustível, além de peças de acabamento soltas, eram corriqueiras. Foi um dos carros que acabaram em pizza em 2014.

Curiosamente, não terminou em pizza para a BMW. A alemã dona da marca Mini reclamava na justiça brasileira o plágio que era o projeto. Mas só ganhou a causa em… 2019, cinco anos depois de o carrinho chinês ter dado adeus do mercado brasileiro.

Fiat Linea

fiat linea 1 4 16v t jet 2008 30

O Linea é um dos carros que acabaram em pizza por causa da própria Fiat. Isso porque a marca italiana insistiu em colocar o sedã para brigar entre os médios. Para efeito de comparação, era como se hoje o Cronos tivesse preços de Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Cruze.

Pois é, o Linea foi mais uma tentativa frustrada da Fiat de se lançar no segmento (já tinha tentado com Tempra e Marea). O modelo apresentado em 2008 era até bem requintado por dentro, tinha acabamento bem cuidado, design interessante e acerto de suspensão correto.

Porém, usava plataforma do Punto, era apertado no banco traseiro e não tinha nem câmbio automático – só a terrível caixa automatizada Dualogic. Estava mais para brigar com Honda City e VW Polo Sedan e, por isso mesmo, jamais vendeu o que a montadora esperava.

Cross Lander

cross lander amarelo

Um jipão robusto de origem romena, fabricado na Zona Franca de Manaus e com 30% de capital norte-americano. Esse era o Aro 24, ou melhor, o Cross Lander CL-244, um 4×4 com carroceria de chapa de aço e motor MWM 2.8 turbodiesel de 132 cv. Feito para o mercado interno e para exportação a partir de 2002, tinha metas ousadas de vendas: 3 mil no primeiro ano cheio e 5 mil, já em 2004.

Os objetivos logo se mostraram utópicos. O jipe teve apenas 72 unidades feitas em 2003 e outras 200, em 2004. Primeiro, por causa da rede diminuta da Cross Lander. Eram 16 lojas em todo o país. Para completar, a exportação para os Estados Unidos ficou somente na promessa.

Em dois anos, a Cross Lander mudou de dono duas vezes e acabou virando Bramont Montadora Industrial e Comercial S.A. Todavia, os jipes já não conseguiam obedecer às normas de emissões brasileiras e, em 2006, os utilitários deixaram de ser montados, ao mesmo tempo em que a Bramont estabelecia uma parceria inusitada com a Mahindra.

Hyundai Veloster

hyundai veloster prata 2012 de frente em movimento

O automóvel de três portas “mais alguma coisa” do mundo foi um dos carros que acabaram em pizza já na revenda. Isso porque o Grupo Caoa, importador da Hyundai, anunciou, em 2011, que o seu estiloso hatch-cupê era vendido com motor de 140 cv no mercado brasileiro. Bacana para a imagem arrojada que o modelo tentava vender, mas que não condizia com a realidade.

O Veloster que era importado para o Brasil trazia sob o capô o motor 1.6 de 128 cv do i30 da época – e que estaria no HB20 a partir de 2012. Durou pouco mais de três anos no mercado, mas o pessoal que comprou o carro não engoliu a pizza não. Sobraram processos contra a empresa na Justiça por propaganda enganosa.

Geely GC2

geely gc2

Em 2014, o Grupo Gandini, importador da Kia Motors, resolveu lançar uma nova marca chinesa por aqui, a Geely. Começou pelo sedã EC7 e logo depois anunciou a comercialização do GC2, o subcompacto inspirado em um urso panda. Entrou em extinção mais rápido que o mamífero e, em 2016, o carro – e a  marca – deixaram o Brasil.

Embora figurasse como um dos três carros mais baratos do país, ninguém tem nem ideia de quantos GC2 foram comercializados no Brasil em um ano de existência – o modelo sequer apareceu no ranking de emplacamentos da Fenabrave. Dizem que não chega a 200 unidades. O EC7 citado, por exemplo, vendeu menos de 500 em pouco mais de 12 meses.

Nissan Xterra

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Triste escrever que o Xterra está entre os carros que acabaram em pizza, até porque o utilitário esportivo era bem legal de dirigir. Mas este SUV derivado da primeira geração da Frontier (que nós conhecemos no Brasil) e produzido no Paraná durou apenas cinco anos e vendeu oito mil unidades, quase metade da projeção da marca japonesa para o período.

O problema era atuar em um segmento liderado pelo Chevrolet Blazer, que tinha mais de 500 revendas espalhadas pelo país e oriundo de uma marca já consolidada e “tradicional”. Isso apesar da dirigibilidade elogiável e do robusto motor 2.8 MWM turbodiesel de 140 cv (começou com 132 cv) do Xterra.

Troller Pantanal

troller pantanal

Um dos carros que acabaram em pizza… queimada! Em 2006, o fabricante de jipes com sede em Novorizonte (CE) lançou a variante picape do T4. A Pantanal usava o mesmo conjunto mecânico do utilitário fora-de-estrada e a Troller almejava vender mil unidades/ano do modelo. Nos primeiros 12 meses, porém, só emplacou 77 unidades.

E ainda bem que vendeu pouco. A Ford comprou a Troller no início de 2007 e detectou problemas “irreversíveis” na Pantanal, que implicavam na estrutura da picape e, consequentemente, no seu comportamento dinâmico e segurança. Ou seja: nem recall daria jeito.

O jeito foi recolher todas as 77 unidades comercializadas, indenizar os donos e destruir (isso mesmo) os modelos, cuja produção já havia sido encerrada – felizmente.

Boris Feldman comenta o caso da Pantanal:

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