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Fracassos de vendas: 10 carros que afundaram no mercado

O Volkswagen up! teve sua morte oficial anunciada em abril sem sequer completar uma década de mercado. Apesar do comportamento dinâmico elogiável, despede-se da vida para entrar para a história…. dos carros que foram fracassos no Brasil.

E não faltam personagens nessa turma de automóveis que não vingaram. O AutoPapo mesmo já relembrou 10 fracassos no mercado brasileiro de carros. Mas os exemplos são tantos que foi possível, agora, fazer um segundo listão, com modelos distintos.

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Exemplos, por sinal, atemporais. Desde os anos 1960 não são raros os casos de veículos até que prometiam muito, mas que não caíram nas graças do público. Ou, ainda, automóveis que, seja por mal posicionamento, ou por mudança na estratégia da própria marca, ficaram pelo caminho.

10 carros que foram fracassos de vendas no Brasil

Confira 10 carros que protagonizaram fracassos de vendas no mercado nacional!

1. Volkswagen 1600 (Zé do Caixão)

volkswagen vw 1600 sedan ze do caixao de frente
Sedã da Volkswagen é mais conhecido pelo apelido de “Zé do Caixão”

Lançado às vésperas do Salão de São Paulo de 1968, esse Volkswagen até vendeu bem, mas sofreu bastante no mercado e teve uma vida bem curta – foram apenas três anos. Para começar, o apelido de Zé do Caixão, uma alusão ao formato da carroceria do sedã, que lembrava um caixão: alguns consumidores consideravam o aspecto do 1.600 tão assustador quanto o do personagem imortalizado por José Mojica Marins.

Além disso, não custa lembrar que, naquela época, automóveis de quatro portas não eram populares, ainda mais compactos. Mesmo os sedãs acabavam virando “carros de taxista”. O fato é que o  “Fusca quatro portas” – outro apelido que recebeu – foi um projeto 100% da VW brasileira e usava o 1.6 refrigerado a ar de 60 cv a 4.600 rpm.

Para completar, um incêndio no fim de 1970, na ala de pintura da fábrica da Volks, atrapalhou a produção do Zé do Caixão. O carro deixou de ser feito em 1971, após 38 mil unidades produzidas.

2. Ford Maverick

fracassos no mercado de carros: ford maverick gt V8
Rejeitado quando novo, Maverick tornou-se desejado depois de antigo

Um clássico valorizado bem depois da sua morte. Pois é, o Maverick atualmente é disputado no mercado de usados, mas padeceu em vida. E tudo começou com um equívoco da própria Ford, que fez clínicas com potenciais clientes no início dos anos 1970 nas quais o modelo foi preterido em favor do Taunus – sedã produzido na Alemanha.

Mesmo assim, a marca optou pelo Maverick por questões de custos – para que, então, fazer clínicas? – e lançou o carro em 1973 para brigar com o Chevrolet Opala. Aí, mais equívocos no posicionamento: o Ford era mais apertado que o GM e usava o motor seis cilindros do Jeep Willys. O conjunto, além de oriundo dos anos 1930, ainda sofria de superaquecimento…

O problemático câmbio de quatro marchas herdado do Aero Willys pouco contribuiu. Logo, foi motivo de chacota. As más línguas decretavam que o Maverick “andava como um quatro cilindros, mas bebia como um oito cilindros”. Testes na época apontavam aceleração de 0 a 100 km/h em mais de 20 segundos e consumo rodoviário abaixo dos 9 km/l.

E a voz das ruas não estava errada. As médias do seis cilindros eram próximas às de outras versões do Maverick: essas, sim, ostentavam roncos e força sensacionais, graças ao 5.0 V8.

Boris Feldman conta a história do Ford Maverick em vídeo: assista!

Mas não se esqueça que a década de 1970 foi marcada por duas crises do petróleo, o que atingiu diretamente carros beberrões. Por causa disso, o Maverick teve de adotar o 2.3 OHC de quatro cilindros com comando de válvulas no cabeçote, que deu uma animada nas vendas do modelo a partir de 1975.

Mesmo assim, o Opala vendia cinco vezes mais que o concorrente da Ford. Em 1979, seis anos após o lançamento, o Maverick chegava ao fim com pouco mais de 100 mil unidades produzidas e, na época, pode ser considerado um dos carros que protagonizaram fracassos comerciais.

3. Fiat Oggi

fracassos no mercado de carros: fiat oggi
Fiat Oggi ficou no mercado por apenas dois anos

Nos anos 1980, a Fiat precisava emprestar uma faceta, digamos, mais sofisticada em sua linha 147. Depois da renovação do hatch, que ganhou o sobrenome Spazio, a marca italiana apostou no Oggi como sua vitrine de requinte. Tanto que o sedã foi lançado em 1983 só com motor 1.3 de 62 cv (com etanol) e na configuração CS.

O carro tinha lá suas virtudes. O porta-malas de 440 litros era um diferencial. Em nome de maior eficiência, o motor ganhou sistema cut-off na carburação, que deixava de jogar combustível no conjunto toda vez que o motorista tirava o pé do acelerador.

Em 1984, teve até direito a uma série especial Pierre Balmain, nome do designer de roupas francês. A edição foi limitada a 50 unidades, sempre na cor bege com detalhes em marrom, feitas sob encomenda.

Contudo, o desenho quadradinho estava longe de ser moderno e inspirador. Principalmente depois que o inovador Uno chegou e deu origem ao Prêmio, mais espaçoso e com linhas mais atraentes, que substituiu o Oggi em 1985. Foram pouco mais de 20 mil unidades vendidas do primeiro sedã da marca no Brasil em dois anos de vida.

4. Toyota Etios

fracassos no mercado de carros: toyota etios
Linha Etios saiu de linha no mundo inteiro

Outra morte anunciada recentemente, assim como a do up! Lançado em 2013 nas configurações hatch e sedã – e sob toda a sorte de críticas e bullying devido ao acabamento ruim e ao desenho controverso -, a linha até vendeu bem de início. Foram 65 mil unidades no primeiro ano cheio, em 2014.

Nem dava para ir além, pois a capacidade da fábrica de Sorocaba (SP) era para 70 mil unidades/ano. Além disso, apesar da mecânica elogiável, as críticas diminuíram, mas não cessaram quanto ao Etios.

As vendas começaram a minguar após a chegada do Yaris, em 2018. O Etios perdeu espaço e volume de emplacamentos. Para se ter ideia, no ano passado, não comercializou nem metade do que o total somado pelo irmão mais moderno. Com isso, sua morte já era dada como certa.

Depois de perder as versões com motor 1.3 e ter a linha restrita a duas opções, o Etios teve o fim anunciado pela Toyota no início de março. Em abril, as últimas unidades foram vendidas.

5. Nissan Xterra

fracassos no mercado de carros: nissan xterra
Xterra tinha qualidades técnicas, mas vendas foram pífias

A primeira geração da Frontier que conhecemos aqui (a décima global) não só foi produzida no Brasil no início do milênio, como ainda deu origem a um SUV médio. Sim, o Xterra foi feito em São José dos Pinhais (PR), mas está entre os fracassos do mercado de carros. Durou apenas de 2003 a 2008.

Detalhe que as previsões de vendas da Nissan eram bem otimistas: 2.400 unidades do Xterra em um segmento liderado pelo Chevrolet Blazer. A realidade é que vendeu, em média, pouco mais da metade dessas metas… por ano – ao todo, foram 8.000 emplacamentos em quase seis anos.

Uma pena, porque o Xterra, apesar de feito sobre longarinas e derivado de uma picape, oferecia dirigibilidade acima da média no segmento de SUVs médios à época. Foi vendido com motor turbodiesel 2.8 MWM de 132 cv (depois, 140 cv) e tração 4×4.

6. Citroën C3 Picasso

fracassos no mercado de carros: citroen c3 picasso
C3 Picasso teve ainda menos aceitação que o “irmão” C3 Aircross

Nos anos 2010, a Citroën apostou demais na tradição de um passado recente e se deu mal. A marca francesa confiou que repetiria as boas vendas do Xsara Picasso no início do milênio e resolveu lançar uma linha de monovolumes compactos. Isso em um mercado que já apontava para os SUVs

Curiosamente, a gama até começou mais antenada: em 2010, foi apresentado primeiro o C3 Aircross, uma minivan com design aventureiro baseado na plataforma do hatch C3. Um ano depois, porém, surgiram as versões civis do monovolume.

Apesar do espaço interno generoso, as minivans já perdiam fôlego no setor. Para piorar, a C3 Picasso usava motores 1.5 e 1.6 que se mostraram beberrões para mover o modelo de mais de 1,3 tonelada. Em 2014, não conseguiu vender nem 4.000 unidades.

O modelo não vingou nem quatro anos completos de produção. Em 2015, a Citroën encerrou a fabricação da C3 Picasso em Porto Real (RJ) e manteve só o Aircross em linha – que agonizou até o início de 2020, reestilizado e sem o C3 no nome.

7. Hyundai Veloster

hyundai veloster prata 2012 de frente em movimento
Desempenho fraco do Veloster é, até hoje, alvo de piadas

Esse aí capotou nas próprias rodas por propaganda enganosa e estratégias equivocadas de posicionamento. Lançado em 2011, o Veloster tentava vender a imagem de esportividade com seu jeitão de hatch-cupê, mas se tornou um dos muitos carros que resultaram em fracassos no Brasil.

A campanha de lançamento na época instigou o público com o fato de ser o primeiro veículo do país com três portas – para logo a internet não perdoar com as lembranças de que a Kombi também era três portas… Além disso, alardeava que o modelo era bastante equipado e usava motor de 140 cv.

Só que tratava-se do mesmo propulsor 1.6 do i30 e do futuro HB20. Este gerava 128 cv, menos do que o anunciado. Outra coisa que ia contra a proposta esportiva do modelo eram as opções de cores: nenhum tom vivo, só prata ou preto.

Por causa do comercial sobre a potência do motor, logo pipocaram ações judiciais contra o Grupo Caoa, importador oficial da marca sul-coreana. As vendas fracas e a logística de importação da Coreia do Sul fizeram com que a empresa encerrasse as vendas do Veloster em 2014.

8. Peugeot 307 Sedan

peugeot 307 sedan cinza de frente
Traseira do modelo parecia resultar de uma adaptação

Em 2006, a Peugeot resolveu brigar com força no segmento de médios. De olho na boa reputação que a linha 306 tinha deixado e no design bastante moderno da gama sucessora 307, a marca francesa começou a produção do 307 Sedan.

Mas tudo que o hatch tinha de arrojado caía por terra em sua derivação três-volumes. Isso porque a traseira do modelo era totalmente desprovida de personalidade, não combinava com o estilo dianteiro e mais parecia um remendo.

Apesar do bom porta-malas com mais de 500 litros – um dos maiores da categoria até então -, já era difícil concorrer com Civic e Corolla na época. Ainda mais com um conjunto pouco eficiente para transportar os mais de 1.300 kg do carro: o motor 2.0 de até 151 cv com o defasado câmbio automático de quatro marchas.

Resultado: o 307 Sedan não vendeu nem 10% do que Civic e Corolla (cada). Em 2011, sua produção foi encerrada na Argentina para dar lugar a outro modelo que não empolgou: o 408.

9. Chevrolet Vectra GT

fracassos no mercado de carros: chevrolet vectra gtx
Hatch não fez sucesso e teve carreira curta

Não faz muito tempo e nosso mercado era bem diferente. A ponto de abrigar dois hatches médios de uma mesma marca em gerações distintas. Em 2007 a General Motors lançou aqui o Vectra GT, que nada mais era que uma geração nova do Astra que já era vendido no país.

Ou seja, não tinha nada de Vectra – a propósito, o sedã aqui já tinha abandonado a plataforma médio-grande e virado um Astrão. O motor também não tinha nada de GT. Era o mesmo do parente: o 2.0 Família II da GM, com potência elevada para 140/133 cv após a estreia.

Em junho de 2011 o Vectra GT deixou de ser produzido juntamente com o sedã. Em 2008, no primeiro ano completo de vendas, chegou a quase 13 mil unidades. Em 2010, foi o hatch médio menos vendido do país, com apenas 10 mil veículos entregues.

10. Renault Fluence

fracassos no mercado de carros: renault fluence 2015
Fluence era um projeto coreano baseado no Mégane de terceira geração

Um daqueles exemplos de carros cujos fracassos ocorreram injustamente. Assim como o antecessor Mégane, o Fluence não conseguiu se firmar no segmento de sedãs médios, apesar da estratégia da marca francesa apostar, neste caso, em um projeto sul-coreano da subsidiária Samsung Motors.

Desta forma, o modelo da Renault produzido em Córdoba, na Argentina, foi lançado em 2010 com bom custo/benefício. O Fluence tinha boa lista de equipamentos e usava o motor 2.0 16V de 143/140 cv. Mesmo assim, as vendas sempre foram muito tímidas. Em 2014, por exemplo, vendeu 8.500 unidades e ficou em 9º no segmento, atrás até de Citroën C4 Lounge e Ford Focus Fastback.

No final de sua trajetória, cerca de 80% de seus emplacamentos, em média, eram para vendas diretas – especialmente para PcD. Chegou ao fim de produção em dezembro de 2018 com descontos de até 30% e custando o mesmo que um Logan, à época.

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