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Três equipamentos do século passado sobrevivem em carros modernos

O Brasil costumava ser um país que demorava a receber as novidades do mundo automotivo. Por muitos anos isso acontecia devido ao mercado fechado, já que as importações eram proibidas, depois isso aconteceu simplesmente por conservadorismo do consumidor. Novidades como motores multiválvulas, cambio automático e outros equipamentos demoraram a popularizar por aqui.

Hoje vem acontecendo o oposto: o brasileiro vem exigindo por tecnologia em seus carros. A central multimídia MyLink foi um dos responsáveis para a consolidação do Chevrolet Onix como o carro mais vendido do país — antes de sua produção ser afetada pela crise dos semicondutores. E hoje nossos carros compactos oferecem itens que antes eram reservados apenas para carros importados.

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Porém alguns equipamentos tidos como anacrônicos nos tempos atuais ainda sobrevivem em alguns carros no Brasil. Em parte por serem carros com projeto mais antigo ou por serem modelos que atendem a um público mais velho e tradicionalista.

Acendedor de cigarro e cinzeiro

Por anos o hábito de fumar era considerado chique. Propagandas de cigarro promoviam um estilo de vida cheio de glamour e os artistas estavam sempre com um cigarro por perto. Porém a ciência estragou a festa da indústria tabagista e mostrou seus malefícios.

No Brasil, o número de fumantes caiu cerca de 40% entre 2009 e 2019, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Nos automóveis isso pode ser sentido pela eliminação quase que total de dois itens: o cinzeiro e o acendedor de cigarros.

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Por R$ 355 o interessado por um Porsche Panamera pode troca quatro tomadas USB por um cinzeiro e um acendedor de cigarros (Foto: Porsche | Divulgação)

O acendedor de cigarros deixou em seu lugar as tomadas de 12v, que ainda são úteis para plugar carregadores de celular e alguns acessórios. Porém em projetos mais novos essa tomada vem dando lugar para entradas USB e até para tomadas caseiras. Já os cinzeiros deram lugar a porta-objetos e porta-copos.

Hoje no Brasil é possível encontrar esses itens em carros de três marcas: Fiat, Jac e Porsche. Na Jac o acendedor de cigarros e o cinzeiro vem de série em todos os carros, uma tradição que será quebrada pelo novo elétrico e-JS1

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O elétrico JAC e-JS4 une a modernidade da propulsão elétrica ao arcaico acendedor de cigarros (Foto: JAC | Divulgação)

Na Fiat o acendedor de cigarros é oferecido como acessório por R$ 204 e pode ser parcelado em quatro vezes sem juros. Ele pode ser selecionado em todos os carros da marca no configurador com exceção da picape Toro e da Fiorino Ambulância.

Já na Porsche o acendedor de cigarros vem junto do cinzeiro no “kit para fumantes,” um opcional disponível em todos seus carros. No elétrico Taycan não existe a tomada 12v, por isso o kit vem apenas com o cinzeiro, no Panamera o consumidor perde duas toamadas USB para poder receber a tomada 12v com isqueiro.

CD-Player

O CD apareceu nos anos 80 como a nova mídia física para reproduzir músicas. Os discos compactos possuem mais qualidade sonora que as fitas e acabaram se popularizando nos carros. Porém os toca-fitas demoraram a morrer, no Brasil ainda era possível encontrar o equipamento no Hyundai Azera até 2008. Já no exterior o toca-fitas só foi aposentado em 2017 quando a segunda geração do Toyota Century saiu de linha.

O brasileiro se rendeu fácil a facilidade de usar a entrada USB do som para reproduzir os seus MP3 ou o pareamento via bluetooth ou cabo para reproduzir as músicas dos smartphones. O popular Spotify, um serviço de streaming de músicas, já está vindo instalado nas centrais multimídia de alguns carros nacionais.

O sistema de som Mark Levinson do Lexus LS500h conta com 23 alto-falantes e pode reproduzir o seu CD favorito (Foto: Lexus | Divulgação)
Nas versões do Fiat Mobi que vem sem sistema de som o consumidor pode escolher por um CD-player Mopar (Foto: Fiat | Divulgação)

A aposentadoria do CD-player vem acontecendo mais rápido que a do toca-fitas, os únicos carros a oferecer esse item são os Fiat Grand Siena, Doblo, Uno, Fiorino e Mobi. Assim como o acendedor de cigarros, a Fiat oferece o item como acessório. A exceção é o Gran Siena onde o CD-player opcional é integrado ao painel — e o mesmo usado no lançamento do carro em 2012.

Os japoneses mantem o CD-player vivo dentro os importados: Toda a linha de importados da Toyota contam com o reprodutor de CD, incluindo o novíssimo Rav4. Na Lexus esse item é encontrado nos sedãs ES e LS junto do reprodutor de DVD. A linha Subaru e o Nissan Leaf completam essa lista.

Direção hidráulica

A inclusão da direção hidráulica pode ser considerada uma surpresa para alguns, incluindo para o autor. Mas esse tipo de assistência sumiu rapidamente do mercado brasileiro e foi substituída peal assistência elétrica.

A direção hidráulica apareceu em 1951 no Imperial, marca de luxo da Chrysler que competia com a Cadillac. No Brasil esse item apareceu com o Galaxie em 1967 e tornou mais fácil a navegação com o grande sedã pelas apertadas ruas brasileiras.

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A direção hidráulica estreou no Brasil com o Ford Galaxie (Foto: Ford | Divulgação)

A assistência elétrica chegou aos carros nacionais em 2002 com o Fiat Stilo. Esse sistema usa um motor elétrico para reduzir o esforço do motorista ao esterçar o carro e não uma bomba hidráulica tocada pelo motor. Isso permite que a direção seja ainda mais leve no uso urbano e reduz o consumo de combustível, já que é um acessório a menos ligado ao propulsor.

Depois do Stilo esse sistema apareceu em alguns carros aleatoriamente, como o Citroen C3, o Honda Fit e o Civic Si. Mas ele só popularizou mesmo com a chegada dos motores 1.0 de três cilindros, que adotavam esse tipo de direção junto de outras tecnologias para reduzir o consumo.

Alguns fabricantes até adotaram a direção elétrica em carros com mecânica antiga, como foi o caso da Chevrolet em sua linha movida pelo motor Família 1. Hoje a direção hidráulica sobrevive em poucos carros e quase todos tem previsão de sair de linha dentro dos próximos anos.

Os carros da Fiat equipados com motor Fire ainda usam a direção hidráulica (Foto: Fiat | Divulgação)
Na linha Volkswagen apenas o Gol e seus derivados não adotaram a direção elétrica (Foto: Volkswagen | Divulgação)
Até nas picapes médias a direção elétrica virou padrão, mas a líder Toyota Hilux mantém a direção hidráulica (Foto: Toyota | Divulgação)

A Fiat, mais uma vez, é a marca que oferece a maior quantidade de carros com direção hidráulica: toda sua linha equipada com motor Fire, incluindo a nova geração da Strada, e o Doblo. Os modelos com motor Firefly já adotaram a assistência elétrica. Na Volkswagen o trio Gol, Voyage e Saveiro também insistem na direção hidráulica, apesar do Fox já adotar a elétrica.

Fechando a lista temos quatro veículos com origem mais rústica. O datado furgão Peugeot Partner e as picapes médias Toyota Hilux, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier. As picapes Ford Ranger e Chevrolet S10 já se renderam a assistência elétrica.

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