Não categorizado

De indestrutível a capotada: conheça de onde vem a fama da Hilux

A Toyota Hilux construiu suma fama pelo mundo com sua robustez. Quando chegou ao Brasil nos anos 90 com a abertura das importações não foi diferente, a picape japonesa foi lentamente conquistando seu espaço no nosso mercado que sempre preferiu picapes americanas.

Hoje a Hilux é a picape mais vendida do Brasil e até virou símbolo de status em algumas regiões do país. Ela pode não ter o desempenho da Amarok, o conforto da Frontier ou o custo/benefício da Ranger, mas continua sempre no topo das listas de vendas de picapes médias e muitas vezes perto do top 10 geral do mercado brasileiro.

nova hilux 2021 lateral esquerda detalhe vermelha
Em 2020 a Hilux foi o 20º carro mais vendido do Brasil, na frente das rivais e de carros compactos como o Renault Sandero. (Foto: Toyota | Divulgação)

VEJA TAMBÉM:

Na Austrália a Hilux sozinha mudou o mercado de picapes. Os australianos usavam suas utes, picapes derivadas de sedãs, para trabalhar e no uso pessoal. Mas a picape da Toyota foi dominando o mercado local, matando as utes e se tornando a líder de vendas do país. Líder de vendas no geral, não apenas dentre as picapes.

Mas afinal, de onde veio essa fama da Hilux?

Quando se fala de nada conseguir derrubar a Hilux a primeira coisa que vem a mente de muitos entusiastas é o nosso colunista Jeremy Clarkson tentando destruir uma no programa Top Gear. No quadro ele usa uma Hilux antiga que trabalhava em uma fazendo e tenta destruí-la de diferentes formas.

Começa de maneira simples, como batendo em árvores e muros, mas a tortura vai escalando para tentativa de afogamento, bater com uma bola de demolição, atear fogo e, por fim, colocar no topo de um prédio que foi demolido. E ainda assim a Hilux continuava em funcionamento, precisando apenas de pequenos reparos usando ferramentas simples para ligar o motor.

O youtuber WhistlinDiesel também fez tentativas de derrotar a valente picape da Toyota. Mas diferente do Top Gear, o alvo escolhido foi uma Hilux em perfeito estado de conservação importada do Japão. A escolha por um carro já considerado como clássico e nesse estado causou revolta na internet.

Os abusos feitos pelo youtuber foram maiores, como carregar três toneladas de blocos de concreto na caçamba, engatar um trailer de quinta roda e levar para fazer trilha em Moab. Para terminar o influencer jogou a picape de um helicóptero, destruindo completamente a Hilux.

No Brasil a Hilux trabalha duro

Aqui em Minas Gerais, onde fica a redação do AutoPapo, é muito comum ver as Hilux cabine dupla em sua versão mais simples com adesivos de alguma mineradora e equipamentos de segurança. As frotas estão sempre sendo renovadas e costumam varias com algumas outras picapes médias, porém a Hilux é sempre uma constante e a favorita das empresas.

toyota hilux branca frente mineracao
A picape da Toyota é uma visão comum em mineradoras e em frotas de empresas pelo Brasil. (Foto: ERG Engenharia | Divulgação)

Segundo Renato Passos, engenheiro mecânico que trabalha com manutenção de frota em uma dessas empresas, a justificativa para a predileção da picape Toyota é a seguinte:

Um projeto robusto, com manutenção barata e pouco problemática: isso incorre em baixo custo por quilômetro e alta disponibilidade mecânica, cenário ideal para qualquer ativo móvel na indústria.

A Guerra dos Toyota

Um conflito que ocorreu entre a Líbia, Chade e França entre dezembro de 1986 e setembro de 1987 foi batizado como Guerra dos Toyota. O exército líbio, liderado pelo coronel Muammar Gaddafi, tentava tomar a faixa de Aouzou, parte do território do Chade.

O Chade não possuía um exército forte como o da Líbia, mas se defendeu usando uma frota de 400 picapes Toyota. Essas frota incluía o Land Cruiser série 70 (sucessor direto do nosso Bandeirante) e a Hilux. As caminhonetes foram equipadas com metralhadoras pesadas e lança-mísseis anti-tanque.

Nos telejornais é sempre possível ver a picape japonesa levando rebeldes e armamentos na caçamba. (Foto: Wikimedia Commons)
Grupos como o Talibã usam a Hilux por ser popular na região e também pela confiabilidade. (Foto: Wikimedia Commons)

As Hilux e Land Cruiser se destacaram principalmente no ataque a uma base aérea. Os soldados chadianos descobriram que ao passar em velocidade altas sobre as minas líbias, elas não detonava. Assim as picapes foram usadas para invadir uma base aérea Ouadi Doum. A técnica deu tão certo que foi usada em outras operações, o que garantiu a vitória do Chade na defesa de seu território.

O uso de picapes Toyota não ficou restrito a esse conflito, até hoje é possível ver a picape sendo usada por rebeldes e militares no Oriente Médio e pelo continente africano. Grupos como o Estado Islâmico e o Talibã costumam usar essa picape.

Sendo usada pelos dois lados

Os rebeldes deram notoriedade à Hilux nas batalhas e isso atraiu também o exército dos EUA. Como essa picape é tão onipresente no Oriente Médio, o exército estadunidense encomendou um veículo militar extremamente parecido com a picape japonesa.

O resultado é o SOTV-B, feito pela Navistar Defense. Para quem olha é apenas uma Toyota Hilux sem os emblemas, mas um olhar atento revela que não é uma Hilux qualquer. O veículo é blindado e pesa 3 toneladas.

O exército dos EUA encomendou um veículo militar disfarçado de Hilux para suas operações no Oriente Médio. (Foto: Navistar Defence | Divulgação)
Apesar da aparência familiar, o veículo é blindado e possui um V8 turbodiesel de mais de 300 cv.(Foto: Navistar Defence | Divulgação)

O chassi é de uso militar, utilizando suspensão independente com curso longo nos dois eixos. E para garantir o desempenho durante as operações militares tem o motor V8 6.0 turbodiesel, que produz 329 cv e 78,8 kgfm.

Outro exército que se interessou pela Hilux é o da República Tcheca, mas foi pela versão comum de produção. No final de 2020 anunciaram que trocariam a frota de Land Rover Defender militares pela caminhonete japonesa.

Usando a fama para se promover

O Top Gear usou a Hilux em outra ocasião e acabou colocando a picape no livro dos recordes. O apresentador Jeremy Clarkson junto de seu colega James May foram as primeiras pessoas a dirigir pelo polo norte e chegar ao polo magnético do planeta.

Para isso utilizaram uma Hilux vermelha modificada pela empresa islandesa Arctic Trucks. O motor é o mesmo 3.0 diesel que a Hilux vendida no Brasil utilizava na época, as modificações eram focadas no chassi para enfrentar as condições extremas.

Graças a Toyota Hilux, dois jornalistas britânicos de meia idade — e levemente alcoolizados — foram as primeiras pessoas a dirigir até o polo magnético do planeta. (Foto: Arctic Trucks | Divulgação)
O nome Invincible que foi usado pela Hilux polar virou edição especial em 2020. (Foto: Toyota | Divulgação)

Essa versão preparada foi batizada como Invincible, nome que retornou em 2020 como edição especial de lançamento da Hilux atualizada. Essa edição foi vendida na Europa e no sudeste asiático.

A Toyota australiana também se aproveitou da fama em diversos comerciais. Alguns foram até banidos sob alegação de promover direção perigosa. Mas o que todos tem em comum é a demonstração dessa robustez.

A única coisa que pode derrotar uma Hilux

Nem só de serviço pesado vive uma caminhonete, esse tipo de veículo precisa lidar com diversas situações em seu uso incluindo rodar por estradas asfaltadas. É justamente nesse uso mais tranquilo que está o calcanhar de Aquiles da Toyota Hilux: a estabilidade.

A publicação sueca Teknikens Värld realizou o teste do alce com a picape indestrutível e só não capotou o veículo devido a correção do piloto. O teste do alce simula uma mudança rápida de faixa para desviar de um animal na pista, ele é muito usado para testar a estabilidade dos carros.

Após nove anos, a geração atual passou pelo mesmo teste e o resultado foi similar. Hoje a Hilux já vem de série com controles eletrônicos de tração, estabilidade e anti-capotamento para evitar esse resultado.

No Brasil essa fama foi além quando policiais capotaram o SUV derivado da Hilux, o SW4, em uma exibição. O apelido “capotalux” acabou pegando e a fama de gostar de ficar com os pneus para cima é maior que a de robustez em algumas partes do Brasil. Porém nem as piadas conseguem tirar a Hilux do topo do ranking das picapes médias.

O post De indestrutível a capotada: conheça de onde vem a fama da Hilux apareceu primeiro em AutoPapo.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Vamos conversar?