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Fiat, 45 anos de Brasil: 10 carros marcantes da marca italiana

A Fiat acaba de celebrar 45 anos de operações industriais no Brasil. Em 9 de julho de 1976, a marca italiana iniciou sua trajetória no país a partir do Polo Industrial de Betim (MG) para se tornar a montadora líder, com 22,1% de participação do mercado total no primeiro semestre de 2021.

Dos mais de 16 milhões de veículos produzidos neste período, muitos foram emblemáticos e fundamentais para essa liderança. Selecionamos 10 destes modelos importantes na história brasileira da Fiat.

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Fiat 147

Fiat 147
Fiat Panorama
Fiat Oggi
Fiat 147 Pick-up
Primeiro 147 a álcool feito em Betim
FCA – Fiat Chrysler Automobiles . Foto Leo Lara/Studio Cerri

O hatch não só marcou o primeiro Fiat brasileiro, como também trouxe novos conceitos para o segmento de compactos. Baseado no 127 europeu – projetado por Dante Giacosa, criador do Topolino -, o 147 se destacava pelo bom espaço interno para a média da categoria na época, ajudado principalmente pelo fato de ser equipado com motor posicionado transversalmente.

O Fiat 147 ainda se destacou por outros pioneirismos. Foi o primeiro automóvel nacional a ter para-brisa laminado e coluna de direção retrátil. Estreou com o propulsor de 1.050 cm³ de 55 cv com câmbio manual de quatro marchas – que exigia uma ginástica do motorista. Depois passou a ter versões 1.3 e foi o primeiro carro a álcool, com 63 cv, logo apelidado de Cachacinha.

Ao longo dos anos, teve variantes esportiva (Rallye) e furgão. E sua plataforma ainda gerou crias, mais uma vez, pioneiras. Em 1978 , por exemplo, nasceu a primeira picape derivada de um carro de passeio, a 147 Pick-up. O compacto ainda serviu de base para a station wagon Panorama, a primeira geração da Fiorino e o sedã Oggi, que durou apenas dois anos no mercado e foi decepcionante nas vendas.

Em 1981, o hatch passou pelo primeiro face-lift, quando recebeu o sobrenome Europa. No ano seguinte, a versão Spazio chegou com frente arredondada para ser uma espécie de referência de sofisticação na linha. O Fiat 147 deixou de ser produzido em 1987, depois de ainda conviver por quase três anos com seu sucessor, o Uno. Ao todo, foram quase 710 mil unidades do modelo produzidas em 11 anos.

Boris dirigiu um 147 a álcool do acervo da Fiat:

Uno

Uno ganhou apelido de bota ortopédica
Teve versões esportivas como a 1.5R e…
… o Uno Turbo
Foi pioneiro no uso do motor 1.0
Primeira geração saiu de linha em 2013

Outra vez a Fiat tentava inovar no segmento de compactos, desta vez com um projeto recente. Apresentado na Europa em 1983, o Uno foi lançado no Brasil um ano depois para suceder, aos poucos, o 147. E, com assinatura de Giorgetto Giugiaro, foi um dos carros mais revolucionários da Fiat não só no Brasil, como no mundo.

O compacto tinha um aproveitamento de espaço ótimo, ampla área envidraçada e oferecia soluções ergonômicas para o motorista, entre elas o painel com alguns comandos satélites, como do limpador do para-brisa. O desenho quadradinho rendeu o apelido de Botinha Ortopédica, mas conferia um coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,35 – o 147 tinha Cx 0,50, por exemplo.

O Uno brasileiro, contudo, teve de se adequar às condições de nossas ruas e também aos fãs do 147. Tanto que sua plataforma usava elementos do hatch antecessor. A herança mais elogiada estava na suspensão traseira. Enquanto o italiano usava um eixo de torção com molas helicoidais, o Uno brasileiro usava o jogo independente, com feixe de molas transversal.

Os motores eram o mesmo do 147: 1.050 cm³ e 1.300 cm³. Havia opções a gasolina e a álcool, além de câmbio manual de quatro ou cinco marchas. E também manteve a tradição de originar outras configurações.

Dessa base, nasceram o sedã Prêmio, a perua Elba, o Uno Furgão, a Fiorino Pick-up e a Fiorino Furgão. Fora as versões emblemáticas desse marcante Fiat. Como esquecer dos Uno 1.6 R e Turbo, este com seus 118 cv e turbo Garrett T2 de 0,8 bar?

Na década de 1990, o compacto se rendeu à nova política de tributação do IPI que beneficiava modelos com motor até 1.000 cm³. Nascia o Uno Mille para inaugurar a era dos “carros populares”.

Logo depois da primeira reestllização, em 1991, era a vez do Mille Eletronic, que, ao contrário do que o sobrenome poderia sugerir, não era dotado de injeção eletrônica, mas sim de ignição eletrônica.

A primeira geração do Uno se manteve no mercado por quase 20 anos. Teve muitas versões e depois se limitou às opções 1.0 e sob o nome Mille. Conviveu com os que seriam seus sucessores, o primeiro Palio (1996) e o próprio novo Uno (2010). Sua produção foi encerrada no fim de 2013, muito forçado pela obrigatoriedade de airbag duplo e ABS, o que demandaria um investimento muito alto para um carro datado e que ainda tinha de ser “popular”.

Fiorino

Fiorino teve séries especiais
O furgão Fiorino
Derivada do Uno, Fiorino segue em produção

A primeira Fiorino foi uma picape e seguiu a mesma lógica da variante “comercial leve” do 147: usava base de um carro de passeio – desta vez, o primeiro Uno – para virar um veículo de carga. A Fiorino Pickup nasceu em 1988 e pode-se dizer que foi o pontapé inicial para a marca italiana ser referência no segmento até hoje.

Isso porque a Fiorino já vendia a imagem de robustez. Com capacidade de carga para até 620 kg, tinha caçamba bem mais generosa que a 147 Pick-up. O volume chegava a 967 litros (142 litros a mais) na área com 2,1 m². Para aguentar o tranco, a suspensão recebeu feixes de molas com quatro lâminas (uma a mais), mas em 1994 adotou um robusto eixo rígido.

A Fiorino Pickup começou com motor 1.3 e depois adotou variantes com 1.0, 1.5 e 1.6. Teve até uma inusitada série especial MTV. Foi produzida até 1999 quando deu lugar a uma picape que faria ainda mais sucesso, a Strada. Mas sua variante Furgão durou bem mais, até 2013, quando uma segunda geração passou a ser baseada no novo Uno – chamada, claro, de “Fioruno”.

Tipo

fiat tipo
Modelo conquistou mercado pelo seu custo-benefício; casos de incêndio ‘queimaram’ a imagem do hatch

O hatch foi o primeiro modelo médio importado pela Fiat no país e se destacava pelo comportamento dinâmico, espaço interno e acabamento mais caprichado. O custo-benefício o tornou um sucesso de vendas após seu lançamento, em 1993, quando chegou a ser o modelo de passeio mais emplacado do país por alguns meses.

Só que tão rápido quanto alcançou a glória, o Tipo também desceu a ladeira. Para começar, o carro chegou aqui bem atrasado – foi lançado na Europa cinco anos antes. Mesmo assim, para surfar na onda do sucesso do modelo, a marca italiana resolveu iniciar a produção do automóvel em Betim em 1995, ano em que ele foi substituído lá fora pelo Bravo/Brava.

Até teve seu momento pioneiro: foi o primeiro carro nacional a oferecer airbag para o motorista. Só que os dias de sucesso estavam contados. Casos de Tipo pegando fogo começaram a pipocar na imprensa. Os incêndios eram ocasionados por vazamentos na mangueira do fluido da direção hidráulica, que caía sobre o coletor de escape.

Para piorar, a Fiat demorou a reconhecer o problema e a fazer recalls – isso só depois de quase 100 casos de incêndios envolvendo o hatch médio. O Tipo teve a fabricação encerrada em 1997 com uma das piores reputações do mercado.

Palio

Primeir geração do Fiat Palio…
… do sedã Siena…
… da perua Palio Weekend…

Mais um projeto compacto global da Fiat dava as caras no Brasil. Com a chegada do Chevrolet Corsa e da nova geração do VW Gol, a Fiat viu que precisava se mexer. A solução veio na forma do Palio, em 1996. Feito sobre a plataforma do Uno italiano, ostentava linhas arredondadas, para-brisas inclinado e promessa de rodar mais confortável que o “antecessor”.

O Palio tinha alguns bons argumentos em termos de segurança, como raio negativo de rolagem e barras de proteção laterais nas portas. Também oferecia – como opcional, obviamente – freios com ABS e airbags frontais para motorista e carona.

Com configurações duas e quatro portas, foi lançado com motor 1.5 Fiasa com injeção eletrônica e 76 cv e 1.6 16V de 106 cv importado da Itália.

Tal como o Uno e o 147, o Palio também originou outros modelos de sucesso: Siena (1997), Weekend (1997) e Strada (1998). E ainda durou bastante tempo, claro, à base de muitas remodelações: em 2000 e 2003 (desenhadas por Giugiaro), 2007 e 2009 – geralmente sempre mantendo uma versão Fire com o desenho antigo.

O Palio foi um ferrenho adversário do Gol, mas demorou para superar o rival em vendas no acumulado do ano. Na verdade, só desbancou o Volkswagen uma única vez, em 2014. Isso na soma das duas gerações, já que desde 2011 o velho Palio passou a conviver com a segunda geração no Brasil. Ambos despediram-se em 2017.

Marea

Marea sedã e sua versão perua, o Marea Weekend
Modelo veio com muita tecnologia
Ambos chegaram a ser vendidos com motor 1.6
No fim de vida, passou por um facelift

O sedã médio foi mais um capítulo na dificuldade da Fiat em emplacar modelos mais caros no país (a exemplo de Tempra, Brava, Stilo, Bravo…). Uma pena, porque era um bom carro, mas que ganhou má fama e que sofre bullying até hoje, sendo maldosamente chamado de “bomba”.

O fato é que o Marea foi lançado no Brasil em 1998 com plataforma avançada, boa lista de equipamentos e um moderno motor cinco cilindros. Era um 2.0 20V com duplo comando variável e desempenho instigante proporcionado pelos 142 cv de potência e 18,1 kgfm de torque máximo.

E foi já aí que o sedã começou a semear sua reputação ruim. Isso porque o motor era complexo de se manter e necessitava de mão de obra especializada. Mas como as revisões eram caras, muitos donos levavam o Marea em oficinas independentes, sem equipamento e ferramental adequado para mexer em componentes – até a troca da correia dentada exigia um maquinário próprio da rede.

A Fiat também teve sua parcela de culpa. No Manual do Proprietário, indicava a troca do óleo do motor a cada 20 mil km e consumo mínimo de 350 ml do lubrificante a cada 1.000 km, como no Marea europeu. Só esqueceu de combinar com a gasolina brasileira, com mais de 20% de etanol em sua composição. A falta de adequações do conjunto às condições daqui resultou em muito cabeçote fundido em decorrência de acúmulo de borra, e a fama de “bomba”.

Mesmo assim, o Marea durou bastante tempo como o carro mais sofisticado e espaçoso da linha Fiat no Brasil. Foi fabricado até 2007, teve a derivação station wagon Weekend e motores 1.8 e 2.4, além de uma variante Turbo. Sobrou até tempo para opção 1.6 mais barata nos últimos dois anos de vida.

Strada

Strada foi lançada em 1998
Teve versões como a Sporting
A Adventure fez sucesso
Ganhou nova geração em 2020

Um dos carros mais marcantes da Fiat, sem dúvida, é a Strada. A picape leve foi lançada em 1998 já com o segmento bem pavimentado pela Fiorino, mas ganhou sua fama de robustez ao longo dos anos. Com 2,71 m de entre-eixos, além do motor 1.5 e suspensão traseira por eixo rígido herdados da antecessora, carregava até 700 kg em sua primeira configuração cabine simples.

Configuração de estreia, uma vez que a Strada se destacou ao longo de sua vida por inovações. Em 1999 foi a primeira picape compacta a oferecer opções com cabine estendida. Teve versões aventureiras (Trekking e, depois, Adventure) e em 2008 estreou o Locker, o bloqueio eletrônico do diferencial dianteiro

Não parou por aí nas invenções Em 2009, surgiu a configuração cabine dupla, com dois banquinhos extras. Quatro anos depois, estas variantes ganharam uma terceira porta, com abertura inversa, do lado do passageiro.

Nesse ínterim, a Strada se manteve em uma única geração por longos 22 anos – grande parte dela como líder disparada da categoria e como o comercial leve mais vendido do país. Claro, às custas de muitas versões, motores e reestilizações: em 2002, 2004, 2008, 2012 e 2014.

No ano passado, ganhou, enfim, uma segunda geração, bem mais moderna e com a mesma pegada versátil de ser um veículo bom para o trabalho e para o lazer. No embalo, estreou configuração cabine dupla com quatro portas e cinco lugares e opção de motor 1.3 Firefly.

Continuou com a média impressionante de vendas, a ponto de a velha Strada – que se manteve em linha – sair de cena para abrir espaço na produção – antes de ser afetada pela falta de insumos que afeta toda a indústria automotiva nacional. Hoje, contabiliza mais de duas décadas de liderança e mais de 1,6 milhão de unidades vendidas.

Palio Adventure

Modelo criou um segmento
Receita foi copiada por outras marcas
Modelo foi recebendo as mesmas atualizações da linha Palio
Ele era mais alto que o restante da linha
No fim, perua estava atendendo frotistas e polícias do Brasil

Não é exagero dizer que a Fiat criou o primeiro crossover brasileiro. Em 1999, dois anos após o lançamento da Palio Weekend, a station wagon debutou sua variante Adventure. Foi a primeira vez em que o sobrenome de sucesso (e que virou referência para diversas variantes de “aventureiros”) foi usado pela marca no Brasil. O modelo misturava a conveniência de uma perua familiar com uma suspensão reforçada para permitir um uso mais “fora de estrada”.

A Palio Adventure iniciou, então, uma receita de bolo que foi seguida pela Fiat em outros modelos (Strada, Idea, Doblò) e até por outras marcas (VW CrossFox, Renault Stepway, Hyundai HB20X etc). Com 4 cm a mais de vão livre do solo, pneus de uso misto e perfil alto e suspensão elevada e reforçada, a Palio Adventure fez a cabeça de muita gente que queria bancar o jipeiro da cidade.

O estilo também contribuía para vender a imagem de aventureira, apesar de o carro estar longe de ser um off-road. Se as modificações mecânicas garantiam uma destreza e robustez melhor para encarar trechos de terra “light”, o desenho era incrementado com faróis de neblina e de milha, quebra-mato dianteiro, molduras escurecidas nos para-lamas e para, além de estribos laterais.

O modelo saiu finalmente de linha em no começo de 2020.

Toro

Modelo inovou ao se posicionar entre as picapes compactas e as médias
Toro passou por reestilização em 2021

Já sob a tutela FCA – Fiat Chrysler Automóveis, a italiana aproveitou a nova fábrica de Goiana (PE) para ter outra grande sacada. Em vez de tentar a sorte no disputado segmento de picapes médias, resolveu fazer um produto meio-termo: desta forma, nasceu a Toro, em 2016.

O modelo não inaugurou o segmento de médio-compactas – a primeira foi a Renault Oroch, meses antes -, mas foi a que fez diferença. Com estrutura monobloco e elementos da plataforma do Jeep Renegade, acerto dinâmico de sedã e design que foge dos padrões das picapes, é um enorme sucesso desde seu lançamento.

A Toro também investiu na mesma versatilidade que ajudou a Strada a ser um fenômeno de vendas. Tem variantes com motor turbodiesel e tração 4×4, custo benefício atraente e capacidade de carga de até 1 tonelada.

Recentemente passou por uma atualização discreta no design, mudou bastante o padrão de acabamento interno e recebeu motor turboflex. E a prova do quão icônico já é esta picape da Fiat, é que várias marcas vão apostar nesta categoria, como Ford, GM e Volks.

Argo

Fiat Argo Trekking 1.8 preto
Modelo posicionou bem a Fiat entre os hatches

Em 2018 a Fiat resolveu dar uma renovada, de fato, em sua gama compacta. Tirou de cena as duas gerações do Palio, além de Punto e Idea, e lançou o Argo. Posicionado como “compacto premium”, de quebra também ocupou a lacuna deixada pelo Bravo. Com isso, a marca italiana pontuou bem a sua gama de hatches.

Com desenho moderninho, nível de acabamento mais caprichado, novos motores Firefly e preços bastante agressivos no varejo, o compacto logo ascendeu. Figura sempre entre os cinco carros mais vendidos do Brasil – em junho, foi o automóvel de passeio mais emplacado – e ocupou com honras o espaço deixado por seus antecessores. Sem dúvida, já merece figurar entre os carros marcantes da Fiat.

Fotos: Fiat | Divulgação

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